“Não é a mesma atriz?” por que Park Eun-bin consegue fazer a gente esquecer Park Eun-bin

Meu irmão tinha acabado de assistir Os SUPERtontos quando me encontrou assistindo Assustadoramente Apaixonados. Ele olhou para a televisão por alguns segundos e perguntou:

— Não é a mesma atriz? — É sim.

A reação veio imediatamente: — Não acredito.

Eu poderia ter encerrado a conversa, mas mandei: — Então assista Traição e Redenção.

Será que peguei pesado? Talvez.

Porém, aquela conversa tocou em uma coisa que eu já vinha percebendo há algum tempo sobre Park Eun-bin.

Eu sabia que estava assistindo à mesma atriz. Afinal, conhecia o rosto dela e já tinha acompanhado vários trabalhos seus — inclusive, é a minha atriz favorita. E, ainda assim, parecia que alguma coisa mudava completamente de uma personagem para outra.

Por isso, fiquei pensando: o que ela faz para que a gente pare de enxergar Park Eun-bin?

Primeiro ela me convenceu de que era um príncipe

Talvez O Rei de Porcelana seja um dos exemplos mais óbvios dessa capacidade.

Afinal, Park Eun-bin interpreta Lee Hwi, uma mulher que precisa assumir a identidade do irmão gêmeo e viver como príncipe herdeiro.

Quando assisti, uma das coisas que mais me surpreendeu foi justamente vê-la contracenando como alguém que precisava ser percebido como homem.

Ela tem uma imagem que, para mim, parece naturalmente doce. No entanto, havia momentos em que aquela postura de príncipe funcionava tão bem que eu simplesmente acreditava.

Além disso, descobrir como ela preparou a personagem tornou isso ainda mais interessante.

Eun-bin contou que treinou equitação e cenas de ação, além de ter prestado atenção até em pequenas mudanças no tom de voz dependendo de com quem Hwi estava falando. Ela também disse que queria que Lee Hwi fosse percebida como uma pessoa, independentemente do gênero.

Isso fecha um loop, pois a transformação não estava apenas no figurino, estava no comportamento.

Então veio Woo Young-woo — e essa me pegou de um jeito diferente

Uma Advogada Extraordinária provavelmente é o trabalho de Park Eun-bin que mais mexeu comigo pessoalmente.

Woo Young-woo é uma advogada no espectro autista, extremamente inteligente e apaixonada por baleias.

Contudo, não foi simplesmente a história que me marcou. Foram alguns comportamentos da personagem, como a dificuldade com contato visual e o hiperfoco.

Esse último me pegou especialmente. Tenho uma pessoa autista nível 1 muito próxima na minha família e, por isso, reconheci ali alguns comportamentos que já me eram familiares.

É uma daquelas situações em que uma característica aparentemente pequena de uma personagem atravessa a tela porque encontra alguma coisa da nossa própria vida.

E interpretar Woo Young-woo foi algo que a própria Park tratou com bastante cuidado.

Ela inicialmente hesitou em aceitar o papel porque não tinha certeza de que conseguiria fazer jus à personagem.

Sinceramente? Entre nós, não sei se teria outra atriz para esse papel.

Durante a preparação, recebeu orientação de professores especializados em transtorno do espectro autista, enquanto a roteirista e a direção também realizaram pesquisas para construir Young-woo.

Isso não significa que uma personagem possa representar todas as pessoas autistas — não pode.

No entanto, ajuda a entender por que Park não tratou aqueles comportamentos simplesmente como um conjunto de trejeitos para interpretar, e talvez seja justamente aí que esteja parte do segredo.

A advogada deu espaço a uma mulher que queria cantar.

Então fui para Diva à Deriva.

E lá estava Park Eun-bin novamente, só que não estava. Era Seo Mok-ha.

Minha lembrança mais forte dessa personagem é a capacidade de continuar seguindo depois de tudo que aconteceu com ela e, ainda assim, tentar conquistar o sonho de cantar.

Mok-ha sonhava em ser cantora antes de acabar isolada em uma ilha por 15 anos. Por consequência, depois de ser resgatada, tenta retomar esse sonho.

Mas o que eu não sabia enquanto assistia era quanto da transformação aconteceu fora da atuação tradicional.

Park decidiu cantar ela mesma porque considerava isso necessário para que Mok-ha fosse convincente. Durante a preparação, chegou a passar de sete a dez horas por day praticando canto quando não estava filmando. Além disso, precisou aprender o sotaque da região de Jeolla usado pela personagem.

Portanto, pense no caminho até aqui.

Em O Rei de Porcelana, ela estava trabalhando postura, voz e presença para construir alguém que vive como príncipe. Em Uma Advogada Extraordinária, precisou encontrar uma maneira cuidadosa de construir Woo Young-woo. Em Diva à Deriva, voz e sotaque mudaram novamente — e agora ela precisava nos convencer também como cantora.

E então alguém aparentemente decidiu: “Está muito confortável. Vamos fazer Park Eun-bin interpretar Jung Se-ok.”

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